6# GERAL 3.9.14

     6#1 GENTE
     6#2 EDUCAO  O DINHEIRO SUMIU NO AR
     6#3 ESPECIAL  ENXERGAR O FUTURO

6#1 GENTE
JULIANA LINHARES. Com Marlia Leoni

DONA CEGONHA ENTRA NO SCRIPT
O roteiro no era bem esse. Mas, na reta final da novela Gerao Brasil, TAS ARAJO descobriu que estava grvida. "Fiquei um pouco constrangida" (ela faz uma jornalista talentosa, um pouco atrapalhada e solteira). "Fui at  casa dos autores para dar a notcia. Quando eles abriram a porta e olharam para a minha cara, j comemoraram: 'Voc est grvida!'." Com a novidade, os roteiristas resolveram esquentar (e acelerar) o romance entre a sua personagem e o de Murilo Bencio. Em outubro, quando a trama acabar, a atriz estar no stimo ms de gestao e s ento vai tratar de arrumar o quarto da irmzinha de Joo Vicente, 3  com "bero de terceira mo" e decorao "para durar". A parte dos lacinhos e vestidinhos, diz, quem vai curtir mesmo  a me dela. "Sou mais prtica, sem fruras", fala Tais, que  capa da revista NOVA. 

L VEM A NOIVA, TODA DE... DE QU?
O lugar: a capela de uma vincola na Provence. Os convidados: 22. A cerimnia: a noiva chegou ao altar de brao dado com os dois filhos mais velhos, outros dois jogaram ptalas de flores no caminho e a nmero 5 e o nmero 6 levaram as alianas. Vestido: dado desconhecido, bem como tudo o mais que se refere s bodas de ANGELINA JOLIE e BRAD PITT. No ltimo dia 23, atendendo a pedidos (dos nmeros 1, 2, 3, 4, 5 e 6, sobretudo), eles se casaram depois de nove anos juntos, protegidos pelos 400 hectares de sua propriedade e por um esquema de guerra que operou a proeza de manter em segredo o enlace mais aguardado de Hollywood, bem como os detalhes que todo mundo est louco para saber. 

NOBLESSE OBLIGE
Qual cena  a mais surpreendente de ver: uma rainha usando jeans rasgado na sada do cinema ou uma princesa de tnis de skatista que leva a filha ao primeiro dia de aula? A resposta : nenhuma das duas, ao menos quando se trata das altezas em questo. LETIZIA, a rainha consorte da Espanha, e VICTORIA, a princesa herdeira da Sucia, so jovens e perfeitamente ambientadas ao universo plebeu, de onde vieram DANIEL WESTLING, ex-personal trainer e agora marido de Victoria, e a prpria Letizia, que era jornalista at se casar com FELIPE VI. E, sendo o "frugal chique" a cara do Zeitgeist europeu, o que pode ser mais moderno que uma rainha desmontada? 

O ZEN E A ARTE DE FAZER DINHEIRO COM CALCINHAS
Nos dias que passou em So Paulo, GISELE BUNDCHEN s usou roupa branca. Tinha acabado de chegar de um retiro espiritual de trs dias, durante os quais ningum deu um pio, para melhor se dedicar ao exerccio da introspeco e da meditao (esta praticada entre verdes folhagens, com a modelo de brinco de pena e cabelo enfeitado por flor do campo, conforme a foto que ela postou no Instagram). "Gisele est toda paz e amor", diz um dos seus contratantes. Mas calminha no quer dizer bobinha, e, assim, Gisele, a ligada, aproveitou para incluir em sua grife de lingeries uma linha s branca, de olho bem aberto no potencial de vendas dentro e fora do Brasil. Desde o fim de junho, o corner que abriu nas Galeries Lafayette, em Paris, j teve de repor o estoque trs vezes. 


6#2 EDUCAO  O DINHEIRO SUMIU NO AR
Inqurito da polcia sobre os descalabros do grupo Galileo mostra que milhes de reais alocados para tirar duas universidades do buraco desapareceram sem deixar rastro.
CECLIA RITTO

     A deciso indita do Ministrio da Educao de descredenciar e fechar a Universidade Gama Filho (UGF) e a UniverCidade, no Rio de Janeiro, deixando 18.000 alunos sem escola no ano passado, trouxe  luz os problemas financeiros em que as duas instituies estavam mergulhadas. Agora, uma investigao policial escancara os detalhes do rombo e do enredo escandaloso que o precede: pelas quantias envolvidas,  um dos maiores descalabros j ocorridos na rea da educao. O empurro final para o abismo foi dado justamente pela empresa criada com a apregoada inteno de recuperar as duas universidades  o grupo Galileo, que as encampou em 2010. Como se tratava de entidades filantrpicas, a transferncia de responsabilidade dos antigos donos para o Galileo no envolveu compensaes financeiras. Em menos de trs anos, porm, a m administrao do fundador e controlador do grupo, o advogado Mrcio Andr Costa, foi capaz de pulverizar 100 milhes de reais obtidos com uma emisso de debntures destinada a sanear as finanas das duas instituies. 
     Um inqurito da Polcia Federal, ao qual VEJA teve acesso, concluiu que a maior parte da dinheirama sumiu no ar, e a parte que no sumiu foi parar onde no devia. Pior: o grosso do prejuzo caiu na conta do fundo de penso dos Correios, o Postalis (o maior do pas em nmero de contribuintes), que adquiriu quase todo o lote de debntures  tambm irregularmente, segundo a PF. Na periferia de todo esse imbrglio, a polcia constatou at a presena de um homem de confiana do senador Renan Calheiros. Encaminhado ao Ministrio Pblico, o inqurito chegou no ltimo dia 15 s mos da Justia, com pedido de indiciamento dos envolvidos. 
 primeira vista, o investimento do Postalis (e dos outros dois compradores, o Petros, fundo de penso da Petrobras, e um banco) tinha a fachada de um bom negcio. O rendimento das debntures viria das mensalidades pagas pelos 400 alunos do curso de medicina da Gama Filho, o ponto forte da universidade. Os 100 milhes poderiam de fato impulsionar a recuperao financeira da instituio, quela altura com uma dvida de 200 milhes de reais.  verdade que, em poucos meses, os recursos arrecadados com as debntures se transformaram em um gro de areia diante do tamanho do rombo, logo catapultado a 900 milhes, mas ainda poderiam ter apagado alguns incndios, como os salrios atrasados dos professores. No apagaram. A PF apurou que cerca de 20 milhes foram para a "famlia Gama Filho", antiga dona da universidade, a ttulo de autorizao para uso da "marca" da universidade  conceito que no se aplica a uma instituio sem fins lucrativos, como era o caso da UGF. Quanto aos outros 80 milhes, diz o relatrio da polcia, ningum sabe, ningum viu: no existe nenhum registro contbil de seu uso. 
     De acordo com a investigao, o Postalis tambm cometeu uma irregularidade ao arrebanhar 75% das debntures, o triplo do que podia  por ordem do Conselho Monetrio Nacional, o limite de investimento dos fundos de penso nesses casos  de 25%. A PF apurou que a aprovao envolveu a alta cpula do fundo, inclusive o presidente na poca. Alexej Predtechensky, e o diretor financeiro, Adilson da Costa. Ambos foram autuados pelos rgos de fiscalizao dos fundos e tiveram de pagar uma multa por aplicar recursos do Postalis em desacordo com as diretrizes do CMN. Adilson da Costa nem deve ter sentido muito no bolso o preo da autuao: saiu do Postalis em fevereiro do ano passado e, em junho, surgia como conselheiro no Galileo. Em um desdobramento que no est no inqurito, mas pode ser comprovado nas atas do conselho, outro protagonista desse enredo foi absorvido pelo generoso grupo Galileo. Trata-se de Milton Lyra, lobista de Braslia ligado ao grupo do senador Renan Carneiros (sob cuja rbita de influncia estava a direo do fundo de penso na ocasio do lanamento das debntures) e intermedirio do negcio. No fim de 2011, meses depois da transao, o nome de Lyra apareceu na lista de presenas de uma reunio de acionistas do Galileo. 
     Quase todos os envolvidos nos enrolados negcios do grupo Galileo  poca da incorporao da Gama Filho e da UniverCidade esto, hoje em dia, atuando em outras reas. A direo do Postalis foi trocada. Mrcio Andr Costa deixou o ramo da educao e voltou para a advocacia. Antes de faz-lo, repassou o Galileo ao pastor batista Adenor Gonalves dos Santos, que no tinha nenhuma experincia na rea; desde o descredenciamento das duas universidades, Santos comanda um grupo que no agrupa nada. A diretoria pediu demisso em fevereiro passado, um ano depois do ato do Ministrio da Educao. O pastor continua firme no comando do grupo esvaziado  seu ltimo ato foi entrar na Justia com pedido de devoluo do pouco que chegou a ser pago em rendimentos das clebres debntures. Os alunos da Gama Filho e da UniverCidade, depois do susto, da incerteza e do tumulto que se seguiram ao fechamento das duas instituies, tiveram a matrcula remanejada e hoje seguem seus cursos em outras universidades do Rio de Janeiro. 

SEM SALVAO - Os alunos buscam informaes no tumulto que se seguiu ao fechamento da Gama Filho e da UniverCidade: 18.000 estudantes foram vtimas do rombo espetacular, causado por operaes como o desvio de 80 milhes de reais levantados em uma transao intermediada pelo lobista Lyra e aprovada irregularmente por Costa, ento diretor do Postalis. O fundo de penso dos Correios, grande investidor do negcio, levou a maior parte do prejuzo.

NA MIRA - O antigo prdio da Gama Filho, no Rio: ao ser vendido, estava em nome de uma offshore, mas recai sobre Paulo Gama a suspeita de ser o dono.

FESTIVAL DE COINCIDNCIAS
Na grande fbrica de perder dinheiro em que se transformou o grupo Galileo, um dos poucos a sair ganhando parece ser Paulo Gama Filho. Alm de ter levado parte do dinheiro das debntures, conforme constatou a polcia, ele circula nas sombras de outro negcio tortuoso: a venda, em 2012, de um prdio de sua ento universidade, no Rio de Janeiro. Oficialmente, o imvel, no centro da cidade, pertencia  Concintra, empresa com sede na Ilha Funchal, em Portugal, que o alugava por 350.000 reais mensais  Gama Filho. Algumas coincidncias, porm, levantam a suspeita de que o verdadeiro dono era o prprio Paulo Gama - que assim estaria ganhando dinheiro com a universidade, uma entidade filantrpica. Gama j tinha feito negcio com a Concintra: em 1997, vendeu a ela um apartamento na Flrida, como mostra um registro em cartrio local. Tanto nessa transao quanto na do prdio no Rio, em algum momento assina em nome da Concintra o advogado Luis Monteiro da Silva, que vem a ser procurador h dcadas da famlia Gama Filho. Ronald Levinsohn, ex-dono da UniverCidade que se considera prejudicado pelo grupo Galileo e por Gama, dispara: "Contratei uma agncia de detetives que apontou Paulo Gama como dono da Concintra. Era ele que embolsava o aluguel". Monteiro, o advogado, nega que Paulo seja o dono do imvel. Sobre sua participao nas transaes, diz: "Sou procurador de outras pessoas e empresas". Os 35 milhes de reais da venda do prdio do Rio foram depositados no Banco Paulista e de l partiram para destino no revelado. Levinsohn garante: "Localizei o dinheiro em dois parasos fiscais". Mais uma coincidncia: no ano da venda do edifcio carioca, Monteiro recebeu uma doao de 1 milho de reais. O doador foi Paulo Gama Filho. 


6#3 ESPECIAL  ENXERGAR O FUTURO
O que explica um tenista rebater um saque de 200 km/h no  a rapidez de reao, mas a capacidade de ler a linguagem corporal do oponente. Novos estudos comprovam que esse  o princpio dos esportes nos quais os resultados superam a capacidade humana de reagir a um impulso.
FILIPE VILICIC, JENNIFER ANN THOMAS E RAQUEL BEER 

     A cincia do esporte se debruou, nos ltimos anos, em desvendar um antigo mistrio. Como pode um atleta reagir s aes de seu rival em velocidade teoricamente sobre-humana? Em outras palavras, como um oponente conseguia desviar-se dos jabs do inigualvel Muhammad Ali, que demorava impressionantes e rapidssimos quarenta milissegundos para acertar a face do adversrio, voando como borboleta e picando como abelha? Muito menos do que os 200 milissegundos necessrios para a informao visual do soco passar pela retina, ser transmitida ao crebro, interpretada pelas sinapses dos neurnios e s a se dar a ativao dos msculos para realizar a esquiva. A mesma dvida recai sobre o tnis, esporte em que se rebatem bolas a 200 quilmetros por hora (veja o quadro na pg. 82). A resposta para esse enigma, porm, em nada  sobre-humana. O esportista no comea a reagir quando o movimento  executado. Ele interpreta a expresso corporal do rival e decide o que fazer mesmo antes do incio da ao. Se ele previu corretamente, reagir mesmo de olhos fechados. 
     Estudos recentes, compilados no best-seller A Gentica do Esporte, do jornalista americano David Epstein, publicado no Brasil pela Campus/Elsevier, elucidam como se d esse mecanismo que parece adivinhao, embora evidentemente no seja. Explicam como o atacante do vlei se prepara para bater na bola antes de ela sair das mos do levantador. O atleta leu a linguagem corporal do levantador e previu onde a bola estaria.  um princpio envolvido em todos os esportes em que os resultados superam a capacidade humana de reagir a um impulso. Uma demonstrao cabal veio com a tentativa de explicar por que os melhores rebatedores do beisebol americano no conseguiam acertar as bolas arremessadas por uma boa jogadora de softball. Apesar de a bola de softball ser bem maior e a velocidade de arremesso da moa bem menor do que a dos homens, os marmanjos simplesmente no a acertavam. A explicao: eles no conseguiam ler a linguagem corporal da arremessadora do time feminino. 
     Em seu livro, Epstein explica por que, quanto maior a capacidade de antever o oponente, melhor  o atleta, e como essa habilidade  desenvolvida em milhares de horas de treino. Para comear, ele compara o corpo humano a um computador. O hardware, praticamente imutvel,  aquilo com que nascemos. Ou seja, nossos genes. O software equivale ao que desenvolvemos. So as horas na academia ou na quadra. Mas nosso hardware, diferentemente do que ocorre na indstria digital, em constante atualizao, no mudou significativamente nos ltimos 200.000 anos, desde que surgiu o homem moderno. As diferenas so individuais. Alguns nascem com genes que levam a 1,90 metro, um bom ponto de partida para quem pratica basquete. Outros tm prevalncia do gene ACTN3, capaz de fortificar os msculos responsveis pela exploso que concede velocidade a um jogador de futebol. Apesar disso, o hardware no  to fundamental quanto se pensava para criar lendas como Pel ou Michael Jordan. O essencial est no software, desenvolvido com esforo. E, nos esportes em que h um oponente do outro lado, o que sobressai em nosso sistema operacional  a habilidade de prever o que faro os adversrios. 
     Comprovaes cientficas comearam a surgir na dcada de 70, com os trabalhos da fisiologista canadense Janet Starkes. Ela criou o "teste de ocluso", no qual o atleta tenta prever a ao de outro olhando, por fraes de segundo, uma fotografia que registra o incio do movimento do adversrio. Janet realizou a prova com jogadoras de vlei do time do Canad e com atletas menos qualificadas. Em sua prova, elas tinham de perceber onde estava a bola em uma foto, observando a imagem por dezesseis milissegundos. As jogadoras da seleo acertaram quase todas as vezes (as melhores da equipe chegaram a descrever at a atleta da foto), enquanto as amadoras achavam que nem bola havia na fotografia. "Para essas, tudo o que se via em dezesseis milissegundos era um flash de luz", resumiu Starkes. 
     Dcadas depois, quando a moda virou atribuir tudo ao DNA, geneticistas chegaram a defender a ideia de que o teste s comprovava que as jogadoras nasceram com genes que lhes davam maiores reflexos. O argumento foi por gua abaixo quando herdeiros das pesquisas de Starkes aprimoraram a prova para mostrar como o resultado era ligado apenas ao treino dos atletas. 
     Apesar de os esportistas reagirem por vezes com mais que o dobro da velocidade das pessoas no treinadas, a comparao s  aplicvel ao que praticam. Fora do jogo, tm reflexos similares a qualquer indivduo, com reao mdia de 200 milissegundos, aquele tempo mnimo para processar a informao visual.  um limite fsico, em teoria, intransponvel. Os atletas s o superam porque a prtica intensiva do esporte transfere a deciso de reagir do lobo frontal do crebro, onde so processadas aes conscientes, para reas que controlam aes automticas do corpo, como respirar. Um lutador desvia-se de um soco por instinto. 
     VEJA repetiu o teste da ocluso, em sua verso mais atualizada, com cinquenta profissionais e amadores de quatro esportes em que a capacidade de antecipar movimentos  determinante: tnis, MMA, vlei e futebol (veja ao longo desta reportagem). Em todos os casos houve a comprovao de que veteranos so, em seu domnio, exmios videntes. Diz Epstein: " claro que a predisposio gentica faz alguns largarem com vantagem em modalidades individuais, como corrida. Mas, em esportes com rivais  frente,  o software aprimorado que lhes d a chance de ganhar". 
     Para chegar a esse nvel,  preciso suar. Calcula-se que sejam necessrias 10.000 horas de treino a um indivduo sem limitaes fsicas para atingir esse estgio de premonio. Alguns privilegiados, que nascem com predisposio gentica para as competies atlticas, saem um pouco na frente. Uma pessoa com o corpo ideal para a luta, por exemplo, leva 6.000 horas. Mesmo assim, o essencial  o esforo. Uma promessa do basquete, de 2 metros de altura, com 2.000 horas de treino, ser pior em quadra que um indivduo esforado, de 1,70 metro, com 15.000 horas de suor. 
O TESTE DO OLHAR
O tenista Gustavo Kuerten, ex-nmero1 do mundo e trs vezes campeo de Roland Garros, realizou, a pedido de VEJA, o saque acima. Profissionais e amadores tentaram prever onde a bolinha iria cair na quadra, baseados apenas na parte intermediria da imagem. Antecipar a jogada, ao observar a linguagem corporal do oponente,  a nica forma de rebater uma bolinha em velocidade acima de 200 quilmetros por hora. 
Outros trs campees, de MMA, vlei e futebol, tambm fizeram os movimentos de sua modalidade. Os resultados aparecem nas prximas pginas.

GUSTAVO KUERKEN, TNIS
A genialidade est na capacidade de decidir o que fazer milsimos de segundo antes de o adversrio tocar a bolinha. Quem domina a arte de prever ganha.

Ao ver esse corte de imagem
Profissionais: 83% previram o resultado do saque de Guga.
Amadores: 40% previram o resultado do saque de Guga
COMO PREVIRAM: o ngulo do giro dos quadris mostra que o saque  aberto (depois de quicar, vai para fora da quadra) e a posio da bolinha, na linha da cabea, denuncia que ter efeito kick (depois de quicar, a bola sobe em altura muito superior  de outros saques).

A REAO AO SAQUE...
... do tenista, em partida de um torneio de Grand Slam, s  possvel porque o adversrio consegue prever a trajetria da bola a partir dos movimentos do oponente.
Saque no qual a bola atinge 200 quilmetros por hora
400 milissegundos   o tempo que a bola de tnis leva para cruzar toda a quadra.
ESPORTISTA COMUM
80 milissegundos   o tempo que um jogador sem a capacidade de previso do lance demora para captar uma bola voando em sua direo.
200 milissegundos   o tempo que leva um jogador que no anteviu a direo do saque para comear a interpretar para onde vai a bolinha. Entre ativar os msculos do brao, depois do comando cerebral, e rebater, a bola j ter passado por ele.
ATLETA DE ALTA PERFORMANCE
No momento inicial do saque, o tenista treinado j sabe para onde vai a bolinha.
120 milissegundos  a partir desse instante, o atleta comea a reagir.

JOS ALDO, MMA
Campeo peso-pena do UFC e o segundo melhor lutador do mundo em todas as categorias do UFC
 preciso estudar as aes dos adversrios, e treinar muito, para tentar prever o que eles faro. Para um lutador, as esquivas tm de vir naturalmente, no podem ser pensadas no momento.
AO VER ESSE CORTE DA IMAGEM
Profissionais: 75% previram o resultado do golpe de Aldo.
Amadores: 10% previram o resultado do golpe de Aldo.
COMO PREVIRAM: o segredo  perceber o todo: no chute frontal, os joelhos apontam para a frente, o p se projeta em linha reta, com os dedos arqueados, o tronco se inclina para trs e os quadris no giram para os lados.

GIBA, VLEI
Oito vezes campeo da Liga Mundial, tricampeo mundial e ouro olmpico em 2004.
Muitos dos movimentos so iguais no vlei, o que faz desse um esporte de adivinhao. Na levantada, por exemplo, se a pessoa comea a fazer um arco para a frente, eu j sei que a bola vai para trs.
AO VER ESSE CORTE DA IMAGEM
Profissionais: 80% previram o resultado da cortada de Giba.
Amadores: 33% previram o resultado da cortada de Giba.
COMO PREVIRAM: o brao e o tronco ficam retos e alinhados na mesma direo, indicao de que o golpe na bola ser na horizontal; o brao esticado ainda denuncia que ela vai para o fundo da quadra.

JUNINHO PERNAMBUCANO, FUTEBOL
Especialista em cobranas de falta, ex-jogador do Lyon, com o qual conquistou o nacional francs sete vezes consecutivas, e meia da seleo brasileira entre 1999 e 2006.
No jogo, o desafio do goleiro  analisar o batedor para sacar aonde a bola vai.
AO VER ESSE CORTE DA IMAGEM
Profissionais: 77% previram o resultado da cobrana de Juninho.
Amadores: 55% previram o resultado da cobrana de Juninho.
COMO PREVIRAM: foi realizada uma cobrana para a direita do goleiro. Se um destro, como Juninho, quer chutar para esse canto, fecha o ngulo dos quadris e posiciona o p de apoio em direo ao centro, ou para a esquerda do gol.


